somar é o contrário de



oscilo entre o vento agreste que sopra lá fora e a aragem que circula no meu sangue .desce por todo o meu corpo como se de uma serpente se tratasse .pára no limite do ventre onde se circunscreve uma viagem de circum.navegação à volta do umbigo .um dedo da mão oscila entre o olho esquerdo e o direito .esfrega.os .não de sono .antes do colapso duma gota de água que teima em não descer grudada ao céu da boca .ao palato .como se do palatino se tratasse .viajo através das veias que noto nas costas das minhas mãos quando teclo sem rumo ou nexo .pararei no centro de uma europa gasta nos limites de um corpo igualmente gasto de prostituta .um gesto a mais neste livro escrito a menos como um esquema de consciência que dura enquanto durar a eternidade .o descrédito no crente faz.se na contradição .somar é o contrário de .parou o vento .por momentos impera o silêncio apenas contrariado pelo meu teclar .um ritmo a mais .um ruído a menos .uma gargalhada sibilina do meu notificador de emails chama.me à realidade da comunicação neste universo grávido de metáforas em que cada um de nós se volteia em pedaços de amor ou desamor .sou obrigada a desagregar.me no conflito por mim gerado .rio.me da confusão e regresso às redes de vida .de pequenos destroços de morte nesta corrente diária de ternura .o vento torna.se mais forte .saúdo Hélios dando.lhe as boas vindas num gesto de loucura inusitada .de novo o silêncio .abro a porta os braços o corpo e deixo.me naufragar num misto de ternura e de loucura

genuína e transbordante


-eric fischl.